A Juazeirense na marca do pênalti

“Estava mais angustiado/ Que um goleiro na hora do gol” – Belchior (Divina Comédia Humana)

Por Carlos Humberto

Quando a bola rolar no Estádio José Américo de Almeida Filho, o Almeidão, em João Pessoa, capital paraibana, a Sociedade Desportiva Juazeirense estará concluindo a sua Divina Comédia Humana na Série C do Brasileiro.

Após a desastrosa estreia contra o Confiança, campeão sergipano, no longínquo dia 14 de abril, no Estádio Adauto Moraes, lá se vão 133 dias de um campanha permeada de altos e baixos, talvez a mais irregular da história do simpático Cancão de Fogo.

E nunca foi tão fácil alcançar o olimpo. Durante as 17 rodadas já disputadas – escrevo na véspera da 18ª – as equipes se revezaram jogo a jogo nas primeiras colocações sempre com uma diferença tênue entre elas, que bastava um triunfo – às vezes até um prosaico empate –, para mudar a ordem de classificação na tabela. E nesse vai e vem, a Juazeirense experimentou o doce gostinho de ficar entre os quatro primeiros do seu grupo e sonhar com o pódio.

Aí, como diz a letra da canção do poeta Belchior, “um analista amigo meu disse que desse jeito não vou ser feliz direito, porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual”. Ou, trazendo para o nosso caso, não se faz um campeão com vitórias casuais. O amor da canção e o futebol de uma equipe são cultivados, não brotam de repente de forma arrebatadora – aí seria paixão na música e eventualidade no campo.

Esse ano, tudo contribuía para a consagração da Juazeirense na Série C. A vulnerabilidade dos concorrentes do grupo A, reveladas a cada jogo, era um fato que camuflava as nossas próprias deficiências e, para nos iludirmos e dar uma satisfação ao torcedor – pouquíssimos, diga-se de passagem –, a diretoria recorria ao mais trivial dos expedientes na cultura do futebol brasileiro: trocar o treinador, como se esse tivesse uma varinha mágica capaz de solucionar os problemas.

Diferente do que planejamos, léguas distante de uma classificação chegamos à última rodada fazendo contas e promessas para evitar o retrocesso de um rebaixamento. Como o futebol é também imprevisível e, por isso, o mais fascinante dos esportes, tudo é possível e, no melhor dos cenários quem sabe o Cancão permaneça onde está.

“Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso (rumo). Eu vos direi no entanto, enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não, eu canto (torço).

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