A síndrome do salto alto

A síndrome do salto alto ou como Natal está vivendo as vésperas da vinda da Juazeirense

Domingo, 13 de agosto, pode se tornar um dia histórico na recente vida da Desportiva Juazeirense. Na Arena das Dunas, aqui em Natal, o Cancão de Fogo tem a chance de chegar à séria C do Campeonato Brasileiro. E vem com uma vantagem considerável, depois do belo 3×0 conquistado em casa. Mas não é sobre placares, resultados ou táticas que quero falar. É sobre uma síndrome que pode afetar qualquer equipe – e torcedores –, desde o selecionado de bairro até a seleção brasileira (vide 2006): a “síndrome do salto alto”.

Não posso afirmar, porque não acompanho a rotina do América, mas me parece que o centenário alvirrubro potiguar padeceu da tal “síndrome do salto alto”. O adversário das quartas-de-finais era um time com só duas vitórias e três empates na primeira fase, retrospecto nada parecido com as cinco vitórias do América. Além dos números no campeonato, ‘a camisa pesa, né?!’, “Tem que respeitar a tradição”, foi algo que ouvi muito em toda e qualquer roda de conversa em que o assunto era: Juazei… (como é mesmo o nome do time?) x América.

Repito: não sei dos bastidores do time potiguar (não acompanho), mas a imprensa potiguar e a torcida, inclusive do grande rival do América, o ABC, tratavam (e muitos ainda tratam) a classificação do alvirrubro como certa. E parece que esse clima influenciou o time potiguar. A grande equipe da competição não fez mais que uma apresentação apática em Juazeiro. Mas e o peso da camisa? E a tradição? É, amigo, camisa, tradição, não ganham jogo. Gol sim! E a desconhecida Juazeirense fez três. Três gols suficientes para liquidar a história e garantir a classifica… Ops! Não é bem assim!

É bem verdade que a Juazeirense construiu uma vantagem muito importante para chegar, pela primeira vez, à série C, mas nem torcida, nem time podem cometer os erros do adversário. Nada está resolvido. Essa é uma parada de 180 minutos. E, acreditem, os 90 minutos finais devem ser bem mais difíceis que os primeiros. Os saltos foram quebrados (essa semana, a imprensa não tem acesso a nenhum dos treinos do alvirrubro). Agora, a ordem por aqui é clara: pé no chão e cabeça na classificação.

Pra Juazeirense resta jogar. Nem a bela Arena das Dunas, nem a tradição e a posição do América no Ranking da CBF, tão exaltadas pela imprensa por aqui, nada disso deve intimidar o Cancão de fogo. Assim, como os 3×0 da primeira partida não devem provocar a ‘síndrome do salto alto’. Saindo a classificação, como quero, torço e espero, vou voltar ao bar que estava ontem e, cordialmente, perguntar ao colega de copo se ainda preciso responder à pergunta que ele bradava: “quem é mesmo essa Juazeirense”?. É, os 3×0 do primeiro jogo ainda não foram suficientes!

Jadir Souza – Jornalista – TUV-RN – DRT: 5461/PE  

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