Festival de Teatro WMC

Performance do artista e qualidade do texto marcam a abertura do 2º Festival Wellington Monteclaro

Por Carlos Humberto - texto e foto
Ator Sebastião Simião apresentou o monólogo Odemar na abertura do Festival de Teatro Wellington Monteclaro (Foto: Carlos Humberto)
Ator Sebastião Simião apresentou o monólogo Odemar na abertura do Festival de Teatro Wellington Monteclaro (Foto: Carlos Humberto)

A segunda edição do Festival de Teatro Wellington Monteclaro começou em alto estilo na noite desta terça-feira 10, com a apresentação do monólogo ‘Odemar’ pelo ator Sebastião Simião Filho, obra que vem sendo mostrada em palcos pelo Brasil e até na Europa. Fruto de pesquisa do artista, o espetáculo construído sobre o poema ‘Ode Marítima’, de Fernando Pessoa, foi a obra escolhida pela Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte para abrir o Festival que homenageia outro artista consagrado, o juazeirense Wellington Monteclaro.

Durante uma hora e quinze minutos, o público não arredou pé do Centro de Cultura João Gilberto, encantado com o texto e com a atuação de gala do artista, e só levantou para aplaudir de pé o encerramento do espetáculo.

Se o repórter se mostrou admirado com a performance que uniu talento e força física, para Sebastião é apenas rotina, fruto do trabalho e do esforço lapidado em ensaios para apresentar sempre o melhor para o público. “O respeito ao público tem que existir” – ensina Sebastião. “As pessoas saem de suas casas, do seu conforto, da sua segurança e merecem assistir, no mínimo, um trabalho digno”.

Modesto, Sebastião acredita que a aceitação do seu trabalho pelo público “se deve ao texto de Fernando Pessoa”. E para não haver dissonância entre o texto apresentado e o artista que apresenta, um precisa estar à altura do outro. Na sua visão, “O poema de Fernando Pessoa é absolutamente extraordinário e o artista tem que estar o mais próximo possível do contexto” – revela.

Provocado pelo repórter sobre a exuberante forma física apresentada – quando por várias vezes usou o corpo para subir e descer em cordas do convés do navio improvisado no cenário, Sebastião, em tom de brincadeira, diz que “Gostaria que ele – Fernando Pessoa – assistisse. Eu gostaria de saber o que ele diria. Eu acho que ele iria gostar” – acredita.

Sobre o Festival, como proposta de assegurar ao artista o espaço para criar e mostrar sua arte, Sebastião tece elogios e espera contribuir para o aperfeiçoamento do formato nas próximas edições.

Programação

Nesta quarta-feira 11, duas peças serão apresentadas na mostra que concorre ao troféu Wellington Monteclaro. Às 18 horas, Ana Cecília Araújo e Lineker Pereira Silva apresentam ‘Uma certa moça de Clarice’, baseado na novela ‘A hora da Estrela’, da obra de Clarice Lispector.

Fechando o primeiro dia de competição, será a vez de ‘O beijo da Mulher-Aranha’, às 21 horas. Os atores Jorge Luiz Vieira, Elder Ferrari, Hertz Félix e Hebert Gonçalves dão vida aos quatro personagens.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *