Uma vez Flamengo, sempre Herbet Mouze

Ícone da radiofonia esportiva, Mouze chega aos 80 anos sem pensar em aposentadoria

Por Carlos Humberto

A história do juazeirense Herbet Mouze Rodrigues se confunde com a narrativa da radiofonia esportiva no Vale do São Francisco há 57 anos. Seus primeiros passos como radialista, incentivado pelo tio e locutor Eurípedes Lima, personagem conhecido como Seu Galo, marcaram a criação de um estilo pessoal inconfundível presente em toda sua trajetória jornalística.

Além do amor pelo rádio, Mouze revela nesse bate-papo com o Agência CH, feito por email, a sua paixão pelo Flamengo e a sua incondicional dedicação à família. Casado com dona Natália de Mello Rodrigues, sua companheira desde 1965, é pai de quatro filhos e oito netos, a quem dedica seu precioso tempo em todos os momentos.

Neste domingo 8, o locutor criador de bordões tipo “Eu penso assim, e você”, imortalizados no vocabulário do torcedor, chega aos 80 anos com o vigor de quem está iniciando a carreira.

Parabéns, caro amigo.

Dados pessoais

Nome completo: Herbet Mouze Rodrigues

Data de nascimento: 08 de outubro de 1937

Local: Juazeiro-BA

Nome da esposa: Natália de Mello Rodrigues

Casado desde: 1965

Filhos: 04 (Mouna, Cristina, Aprígio e Mouze Filho

Netos: 08 (Filippe, Rogério Filho, Bruna, Ana Victória, Lucas, João Herbet, Mouze Neto e Ana Beatriz)

Títulos como jogador: Aspirantes do Veneza (LDJ), onde foi artilheiro e futebol de salão pelo Franvale

Títulos como radialista: Mais de 10 “DESTAQUE IMPRENSA”

Cargos públicos: Titular das Secretarias de Ação Social, Secretaria de Serviços Urbanos, Secretário de Imprensa e Secretário de Esportes da Prefeitura Municipal de Juazeiro em gestões passadas

Cargos eletivos: Como Vereador, foi presidente da Câmara Municipal duas vezes, vice-presidente e secretário, além de presidir diversas comissões

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Entrevista com Herbet Mouze

Como começou sua ligação com o esporte?

Desde a década de 50, no futebol infanto-juvenil e antiga categoria de aspirantes (LDJ) como jogador.

Você foi jogador de futebol de salão e de futebol. Qual a modalidade preferida?

Gosto das duas, mas sou mais o futebol de campo.

Quando descobriu a vocação pelo rádio?

No final dos anos cinquenta, ao ouvir meu tio Eurípedes Lima (Seu Galo) nos programas matinais e de auditório.

Quem o incentivou na carreira de radialista?

Meu real descobridor e incentivador foi meu amigo radialista, Clésio Atanázio, de saudosas lembranças.

Quantos anos de carreira na imprensa esportiva?

Agora, 08 de outubro, 57 anos.

Qual a sua referência como comunicador?

Ser leal e verdadeiro. Como referência destaco Belmiro Neto e Marcos Bastos.

Você é formador de um estilo dentro do jornalismo regional. Poderia destacar profissionais que foram de sua escola?

Foram meus colegas, não fui professor. Augusto Moraes, Joselino Oliveira, Addy Carvalho, Marilene Silva, João Eudes, Otoniel Queiroz, Geraldo José, Antônio Carvalho, Rastelli, Douglas Dourado, Raimundo Amarildo, Charles Grey, Geraldo Messias, Niel de Souza, entre outros.

Entre os profissionais da nova geração na imprensa local, quem você destacaria?

Geraldo José, Ramos Filho, Jean Rêgo, Wilson Duarte, Marcos Bastos, Tony Martins e o garoto Iago, entre outros.

Nesse período você acompanhou a evolução do futebol através de diversas gerações. É possível fazer um comparativo?

A geração passada de 1980 para trás, era mais disciplinada, clássica e evolutiva. Tivemos verdadeiros craques.

Quais os grandes momentos vividos como locutor esportivo?

Narração das decisões dos campeonatos da LDJ, como exemplo, o clássico VENEZA x OLARIA e um jogo da Seleção Brasileira.

Existe algum episódio que você prefere esquecer?

Esqueci.

Sua paixão pelo Flamengo é parte de sua vida. Como tudo começou?

Na época que nasci, não havia maternidades e sim as tradicionais parteiras. Quando minha mãe sentiu as dores do parto, correram e foram chamar a parteira D. Joana. Ela pediu um pano e acharam fácil um pano preto, ao cortar o meu cordão umbilical, vários pingos de sangue caíram sobre o pano preto. Pano preto com pingos de sangue formou-se um panorama rubro-negro. Meu pai viu e disse: Já nasceu flamenguista! Daí…

Quais são seus ídolos no esporte?

Zico e Pelé.

Futebol amador ou profissional?

Um amador bem tratado, produzindo profissionais.

Você aprova a atual gestão da diretoria rubro-negra?

O Mengão merece coisa melhor.

Como é o Herbet Mouze na família?

Amar e ser amado. Minha família é o meu maior motivo para minha vida feliz. É o meu céu na terra.

Ao longo de sua carreira você já entrevistou várias celebridades de diversos segmentos da sociedade. Cite uma entrevista que o realizou?

Pelé, Garrincha, Quandt de Oliveira – Ministro das Comunicações.

Ainda falando de entrevistas, quem você gostaria de entrevistar e não conseguiu?

Zico. Entrevistei, mas não fotografei. Fiquei triste por um lado e alegre pelo outro.

Em tempos de internet e redes sociais, como você analisa o futuro do rádio?

O rádio ainda é um forte elo com o tradicional ouvinte. Caiu um pouco, mas ainda é o meio de comunicação forte por algum tempo.

A ética nos meios de comunicação voltou a ser questionada. Alguns formadores de opinião deixam o escrúpulo de lado e, para sobreviver, esquecem o compromisso fundamental com a notícia e com o seu ouvinte ou leitor. Qual a sua opinião sobre esse tema?

A ética e a honestidade são alicerces para que o profissional sobreviva. Eu penso assim.

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